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É um conto publicado nas edições da Target do livro Império de Tempestades.

Sinopse

Meses antes de Aelin recuperar sua identidade como a perdida Rainha de Terrassen, ela ainda se chamava Celaena Sardothien─e foi treinada para reativar sua magia por um príncipe feérico em uma fortaleza montanhosa de Wendlyn...

Apesar de seu começo difícil, Aelin e Rowan finalmente formaram uma amizade sólida, baseada no respeito mútuo, confiança e mais do que um pouco de brincadeiras. Mas quando o vínculo deles começa a se transformar em algo que nenhum deles antecipa─algo muito mais profundo─a fortaleza de Defesa Nebulosa recebe a visita de três nobres feéricos. E um deles reivindica alguns laços muito, muito pessoais para o próprio Rowan.

Leia para ter acesso a uma exclusiva cena deletada de Herdeira do Fogo, onde Aelin tem seu primeiro vislumbre dos feéricos nobres de Doranelle, e um pouco mais do passado de Rowan é revelado... com consequências arrebatadoras.

Conto

Qual sua comida favorita? Descansando em uma pedra como um lagarto ao sol, Celaena jogou uma noz no ar e a pegou com sua boca.

“O que quer que me mantenha vivo no momento,” Rowan disse do seu lado, antebraços apoiados em seus joelhos enquanto ele monitorava as defesas e vales de Wendlyn ondulando abaixo.

Ela estalou a língua. "Você poderia parecer menos um animal?"

Ele deslizou um olhar em sua direção, levantando uma sobrancelha como se dissesse: Você se lembra de qual é a minha outra forma, não é? Quando ela apenas franziu a testa, ele suspirou. "Há um vendedor ambulante em Doranelle que vende carne no espeto."

"Carne no espeto", disse Celaena tão firmemente quanto podia, lutando para manter os lábios em linha reta.

"E eu suponho que a sua alimentação seja alguma mistura de doces inúteis."

“Doces não são inúteis. E sim. Eu rastejaria sobre  brasas por um pedaço de bolo de chocolate com avelã agora mesmo.” Mentiras. A última vez que ela havia comido o bolo, fora com Chaol. Ela não tinha certeza se poderia comer de novo.

“Que utilidade isso teria para manter seu corpo forte? Com sua magia, você a queimaria e ficaria com fome de novo dentro de meia hora.”

Ela se apoiou nos cotovelos. “Suas prioridades estão obscenamente fora de ordem. Nem todos os alimentos são para sobrevivência e para adquirir forças. Você nem provou um dos chocolates daquela cidade.”

O pensamento de Rowan fazendo isso a fez apertar os lábios novamente. Ela sabia que ele iria fazê-la começar a treinar no momento em que ela começou a uivar, então ela rapidamente perguntou: "Cor favorita?"

"Verde."

"Estou surpresa que você realmente saiba."

Ele estreitou os olhos, mas disse: "Qual é a sua?"

“Por um tempo, eu me fiz acreditar que era azul. Mas sempre foi vermelho. Você provavelmente sabe o porquê.”

Ele fez um som afirmativo.

Celaena deitou-se e levantou a mão acima dela, passando uma linha de fogo por entre os dedos. Ela trançou entre os nós dos dedos, em seguida, serpenteou-a na palma da mão, até que ela enrolou em torno de seu pulso, entrelaçando e deslizando ao longo de sua pele.

"Bom", disse Rowan. "Seu controle está melhorando."

“Mmhmm.” Ela levantou a outra mão, e anéis de chama rodearam seus dedos. Ela começou a trabalhar em esculpir as chamas, forjando-as em padrões individuais.

"Tente em mim", disse Rowan, e ela virou a cabeça para ele e franziu a testa profundamente. "Tente."

Ele não recuou quando ela criou uma coroa de chamas para ele. Bem em cima de sua cabeça.

Ela se sentou, ajoelhando-se diante dele, suas próprias joias ainda queimando em suas mãos e pulsos, e concentrou-se enquanto formava a coroa em uma guirlanda, cada folha individual um lampejo de chamas, o dourado e vermelho e azul brilhante como qualquer pedra preciosa.

O cabelo prateado de Rowan brilhava abaixo dela.

“Gesto ousado”, ele disse enquanto ela continuava adicionando detalhes à sua coroa. "Um que não tem muito espaço para erro."

"Estou surpresa que você não esteja envolvendo sua cabeça com gelo."

"Eu confio em você", ele disse baixinho o suficiente para que ela olhasse para o rosto dele. Com a coroa de chamas, ele parecia realmente nobre ─ um rei guerreiro, tão brutal quanto as linhas de sua tatuagem. "E agora uma para você", disse ele, e um arrepio delicioso desceu por sua espinha quando uma coroa de gelo se formou no espaço entre eles, seus delicados espigões subindo alto.

Rowan levantou-a entre as mãos e colocou-a na cabeça dela, a luz do peso, o frio um bálsamo contra o calor do fogo.

Celaena sorriu para ele e ele lhe deu um pequeno levantar de seus lábios em resposta. Mas então ela se lembrou─lembrou que era uma coroa que ele fez para ela. Uma coroa.

Suas chamas vociferavam quando ela se levantou e caminhou até a beira da pedra, envolvendo os braços em volta de si mesma. Um momento depois, a coroa de gelo se dissolveu em névoa no vento da montanha.

"Nós vamos ter visitas hoje à noite", disse Rowan, aproximando-se dela.

"Eu deveria me preocupar?"

“Eu─eu preciso de ajuda.”

“Ah. Então é por isso que você me deixou ter uma tarde de paz.” Ele rosnou, mas ela levantou uma sobrancelha. "Finalmente vou conhecer seus amigos misteriosos?"

"Não. Eles são feéricos nobres, passando pela área. Eles pediram um lugar para ficar durante a noite e chegarão mais ou menos ao pôr-do-sol. Emrys está fazendo o jantar, e eu devo... entretê-los.”

Quando ele apenas olhou para ela, ela disse: “Oh, não. Não."

"Eles não vão concordar em jantar com os semifeéricos e──"

"Sou menos aceitável que um semi-feérico!"

"Se eu tiver que ser o anfitrião deles a noite toda, provavelmente terminará em um banho de sangue".

Ela piscou. "Não é dos seus favoritos?"

“Eles são nobreza típica. Guerreiros não treinados. Eles esperam ser tratados de uma certa maneira”.

"E? Você está no pequeno grupo de Maeve. E você é um príncipe, para começar. Você não é superior a eles?”

“Tecnicamente, mas há políticas a serem consideradas. Especialmente quando eles vão reportá-las a Maeve.”

Ela gemeu. "Então, o que─eu vou ter que bancar a anfitriã?"

Seu rosto era tão infeliz quanto o dela. "Não. Apenas... me ajude a lidar com eles.”

Um pouco de confiança, ela percebeu. "E o que eu vou ganhar com isso?"

Ele flexionou sua mandíbula, e ela honestamente pensou que ele diria, eu não vou te dar um surra, mas ele suspirou. "Eu vou encontrar um bolo de chocolate com avelã para você."

"Não." Quando ele levantou as sobrancelhas, ela lançou um sorriso perverso para ele. "Você só vai ficar me devendo. Um favor que eu posso pedir quando eu quiser.”

Ele suspirou, erguendo o olhar para o céu. "Basta estar pronta ao pôr do sol."

͠

Os sinos tilintantes e as vozes alegres alcançaram a fortaleza muito antes do grupo aparecer através das pedras da ala.

De pé no pequeno pátio, Celaena olhou para Rowan. "Sério? Você precisa da minha ajuda com esses idiotas de nariz empinado?” Mas, além daqueles que estavam de serviço, os semi-feéricos se tornaram escassos.

Ele olhou para ela. Ela se banhou e vestiu sua túnica mais limpa, até mesmo trançou seus cabelos em uma coroa delicada. "Mantenha a voz baixa", ele murmurou, dando um olhar aguçado para seus ouvidos.

Ela revirou os olhos, mas não disse mais nada quando o grupo chegou. Os cavalos deles eram todos─maldição,eram todos cavalos Asterion. Cada um vale seu peso em ouro e um pouco mais. Uma vez ela já possuíra um─bem, ela roubou um e o manteve─mas o vendeu para pagar as dívidas de Sam para Arobynn. Tinha valido a pena, mas... ela ainda sentia falta de Kasida. Ela nunca tinha visto ou montado um cavalo melhor.

Haviam cinco no grupo que agora estava no pátio e na fortaleza, dois deles guardas entediados, cuja atenção se fixava apenas em Rowan, e os outros três... A fêmea na frente era impressionante─e, sem dúvida, a líder.

Debaixo de seu cabelo loiro claro, seu rosto era uma mistura de marfim e rosa suave, seus olhos de um azul cerúleo vibrante. Eles brilharam de prazer quando se fixaram em Rowan.

Ela não poupou a atenção de Celaena quando ela graciosamente desceu de sua égua branca. "Rowan!" Ela avançou, estendendo as mãos. Seus dedos eram finos e longos─e tão perfeitos quanto todo o resto.

“Lady Remelle,”Rowan disse, suas mãos enormes cobrindo as dela quando ele as pegou. Sua coluna era reta como uma vara, e embora Remelle olhasse para as mãos unidas como se esperasse que ele desse um beijo─deuses, a idéia de Rowan beijar a mão de alguém─ ele soltou seus dedos sem a menor cerimônia e se virou para os outros dois nobres desmontando.

"Lorde Benson", disse ele ao homem alto e magro, que apenas acenou para ele. Benson, Celaena notou, se preocupou em olhar para ela─seu longo nariz e olhos escuros varrendo seu corpo, depois seguindo em frente. Audacioso. ”Lady Essar,” Rowan disse para a pequena fêmea feérica de cabelos escuros.

Remelle podia ter uma beleza impressionante, mas Essar tinha um conjunto de curvas que até Celaena se viu invejando. Sua pele marrom-clara parecia brilhar como se fosse iluminada por uma luz interior, e seus olhos castanhos brilharam com genuína gentileza enquanto estendia as mãos para Rowan e sorria.

Ele pegou os dedos de Essar um pouco mais calorosamente do que os de Remelle─e os olhos da senhora de cabelos loiros se estreitaram ligeiramente. Mas Remelle se recuperou rapidamente, sorriu e colocou uma mão atrevida no ombro de Rowan quando disse: “Já faz séculos, não é? Você nunca vem a nossas festas, e Maeve mantém você só para ela.” O rosto de Rowan ficou vazio. Frio. "Houve um tempo", Remelle fez beicinho, "Em que eu conseguia manter você para mim. Às vezes sinto falta daqueles dias.”

Rowan apenas sacudiu os olhos para os guardas vigilantes, que pareciam precisar de uma refeição decente─e uma folga de seus companheiros. "Os estábulos estão à esquerda."

Celaena estava muito ocupada olhando de Rowan para Remelle para ver se os guardas obedeceram a ordem do príncipe. Amantes.

Ela não sabia por que achava que perder a companheira significava que ele tinha sido celibatário, mas─mas alguém como Remelle─

Lembrando que ela existia, Rowan estendeu um braço em sua direção. Celaena considerou honestamente caminhar de volta para a fortaleza e deixar Rowan à mercê deles, mas se encontrou caminhando até ele, cada vez mais perto, tão perto que ele poderia ter-se colocado a seu lado.

Ele na verdade pareceu relaxar um pouco quando disse: “Esta é─Elentiya.” Ela não tinha pensado em como ele a apresentaria, mas ela estava grata pelo anonimato que ele ofereceu. "Estou treinando ela a pedido da rainha. Elentiya, esta é Lady Remelle, Lorde Benson e Lady Essar.” Ele começou a falar sobre nomes de casas e outras tolices, e Celaena deu um aceno superficial que fez com que Benson e Remelle franzissem os lábios.

Apenas Essar disse olá, um ronronar abafado que fez Celaena se perguntar por que Rowan não a levara para a cama em vez dos sorrisos frios e brilhantes de Remelle.

"Você é mestiça, então" Benson disse, seus olhos passando por ela.

Rowan, para sua surpresa, eriçou-se, mas segurou o grunhido que ela sabia que estava roncando nele.

Celaena sorriu com firmeza. “Minha bisavó era feérica. Então, se isso me faz semifeérica, eu não sei.”

Ela captou o olhar que Remelle deu a Rowan: uma mistura de exasperação, como se dissesse, Sério, Rowan? Você trouxe uma mestiça para nos conhecer? Que costumeiro da sua parte.

Mas─Rowan não pediu que ela aparecesse na forma feérica. Não, ele deixou que ela aparecesse na forma que desejasse. O que a aqueceu o suficiente para que ela andasse um pouco mais perto dele, perto o suficiente para quase roçar seu braço com o dele. Remelle não deixou de perceber isso também. Que tipo de visita era essa mesmo?

Foi Essar quem disse: “Bem, estou ansiosa para ouvir sobre suas aventuras, Rowan─e como você veio para cá, Elentiya. Mas primeiro, eu acho que eu gostaria muito de tomar um banho e comer algo.” Ela deslizou um olhar de desculpas na direção de Celaena. "Eu morreria por qualquer coisa de chocolate agora."

Apesar de tudo, Celaena decidiu que gostava dela.

͠

"Então, você e Remelle", disse Celaena de onde ela descansava na cama de Rowan, com a cabeça apoiada em uma mão.

Em sua mesa de trabalho, afiando suas armas com um pouco de interesse, Rowan rosnou.

Eles jogaram os nobres aos banhos, pediram a Emrys que trouxesse comida para os quartos que estariam ocupando enquanto estivessem aqui (havia três semi-feéricos que estavam mais do que felizes em desocupar seus grandes quartos se isso significasse sair do caminho de seus visitantes). Eles tinham uma hora até o jantar─e embora Celaena pudesse ter arranjado um vestido... ela não estava com vontade.

"Remelle foi... um erro muito, muito grande", disse Rowan, de costas para ela.

"Parece que ela não pensa assim."

Ele olhou por cima do ombro. "Foi há cem anos atrás."

Deuses, às vezes ela esquecia quantos anos ele tinha. "Ela age como você a tivesse deixado neste inverno."

“Remelle só quer o que ela não pode ter. Uma condição que muitos imortais sofrem para evitar o tédio.” Ele se virou, a faca de caça em suas mãos brilhando à luz do fogo.

"Ela estava praticamente agarrando você".

"Ela pode agarrar o que quiser, mas eu não vou cometer esse erro novamente."

"Parece que você cometeu esse erro algumas vezes."

Rowan nivelou um olhar cruel para ela. "Foi durante o curso de uma temporada e, em seguida, voltei a meus sentidos."

"Mmmm"

Ele apunhalou a faca na mesa e foi para a cama até que ele olhou para ela. Celaena estava deitada, sobrancelhas altas e lábios pressionados.

"Uma risada", ele avisou. "Apenas uma risada, e vou despejar você no lago mais próximo."

Ela oscilou com o esforço para conter a risada.

"Não se atreva", ele rosnou. Inclinando-se baixo, o suficiente para que a respiração dele aquecesse sua boca. "Se você..."

A porta se abriu e Rowan congelou, um grunhido baixo ressoou nele, tão violento que ecoou em seus ossos. Mas a ameaça era apenas Remelle, que piscou e disse: "Oh!"

Demorou Celaena um piscar de olhos para perceber o que parecia. Ela estava esparramada na cama, Rowan se apoiou sobre ela, perto demais para ser casual, mas─

"O que você quer?” Rowan disse, endireitando-se, mas sem se afastar.

Remelle examinou o quarto, analisando os detalhes que sugeriam que não era apenas o espaço de Rowan: a escova na cômoda, as roupas íntimas que Celaena tinha deixado jogadas sobre uma cadeira (oh, como isso seria interpretado!), as fitas que ela usava para amarrar seu cabelo, as pequenas botas ao lado das de Rowan, e até os vários itens pessoais que eles mantinham em suas próprias mesas de cabeceira.

"Eu queria conversar", Remelle disse olhando tudo, exceto para Celaena, "mas parece que você está... ocupado".

"Vamos conversar no jantar", disse Rowan.

Celaena se levantou da cama. "Eu tenho que ir ajudar Emrys com a refeição, na verdade." Ela mal conseguiu esconder seu sorriso malicioso. "Por que você não fica, Remelle?"

Rowan poderia ter derretido seus ossos com o olhar que ele deu a ela, mas Celaena já estava do outro lado da porta e no corredor, assobiando para si mesma.

͠

Rowan ia matá-la. Assim que retomassem o treinamento, ele a mataria. E depois a mataria novamente.

Remelle ainda estava na porta, franzindo a testa na direção de Aelin. Quando ela se virou, um sorriso serpentino apareceu em seus lábios vermelhos. "Isso é considerado parte do treinamento também?"

"Saia", foi tudo o que ele disse.

Remelle estalou a língua. “É assim que você fala comigo hoje em dia?”

"Eu não sei porque você se incomodou em vir aqui, ou o que você espera de mim─"

"Eu fiquei sabendo que você estava aqui, e pensei em dizer olá e poupá-lo da tediosa companhia de mestiços, mas eu não sabia que você tinha se apegado tanto a eles."

Ele sabia exatamente o que parecia quando ela irrompeu aqui. Negar isso só levaria a uma dor de cabeça, mas deixar Remelle assumir que ele estava dividindo a cama com Aelin era igualmente inaceitável. Ele não conseguia decidir como Maeve iria interpretar isso. A menos─

"E quem foi que disse que eu estou aqui?"

“Maeve, claro. Reclamei com ela que sentia sua falta.”

A questão não era se Remelle era espiã desavisada ou não. Nem se Maeve havia enviado Remelle para ver que tipo de relacionamento Rowan desenvolvera com a princesa.

"Como sua amiga, Rowan, eu tenho que dizer... a garota é muito inferior a você."

Ele segurou sua risada. Aparentemente, Maeve não informou a ela quem exatamente, ele estava treinando. Remelle tinha sido implacável em sua perseguição a ele um século atrás, vencendo-o com seu charme e sorrisos, mas─ele realmente não se incomodava em lembrar daquela época.

"Um", ele disse, "você não é minha amiga. Dois, não é da sua conta.”

Seus olhos se estreitaram de uma forma que o fez perceber que Remelle faria de cada minuto um inferno para a princesa─não sabendo que tipo de predador ela estava provocando.

Então, em vez de ver o sangue de Remelle respingado nas paredes antes do amanhecer, ele disse: “Há poucos quartos aqui, então nós tivemos que compartilhá-lo, como resultado.” Não é bem mentira, mas não toda a verdade.

As sobrancelhas de Remelle permaneceram erguidas em sua pele branca como a lua. "Bem, eu suponho que é uma boa notícia para Benson."

"O que?"

“Ele tem necessidades que precisam ser atendidas e a acha atraente o suficiente. Maeve disse que estava mais do que bem se ela...”

"Se Benson colocar um dedo nela, ele vai se encontrar sem suas entranhas."

Maeve─sugeriu que ela estava disponível para─

Ele reprimiu a raiva ofuscante quando Remelle piscou. "Honestamente, Rowan, o que você acha que a maioria dos mestiços acaba fazendo em Doranelle?"

Ele não tinha resposta─não tinha palavras─assim que ela disse isso.

Ela encolheu os ombros, "Benson será gentil com..."

“Se Benson olhar duas vezes para ela, ele morre. Se ele olhar duas vezes para qualquer uma das mulheres nesta fortaleza, ele morre.

As palavras estavam atadas com um grunhido tão feroz que elas eram dificilmente compreensíveis. Mas Remelle entendeu.

Lorcan sabia? Ele era um semifeérico, provou-se meio milênio atrás. Ele estava ciente do que acontecia em sua cidade? Era repugnante─pior do que repugnante. Os feéricos eram melhores que isso. Mas Maeve─

"Vou garantir que o aviso seja transmitido," Remelle ronronou.

͠

Celaena de fato foi até a cozinha, onde ajudou Emrys a preparar a refeição. Luca estava lá, tagarelando, mas a conversa parou no meio da frase.

Essar estava ao pé da escada, sorrindo fracamente.

"O jantar não estará pronto por mais vinte minutos", disse Celaena, enxugando as mãos em um pano de prato antes de se aproximar da moça. Luca estava praticamente boquiaberto com a pequena beleza, mas Essar deu-lhe um sorriso educado e imediatamente se viu interessado no que quer que estivesse fazendo. "Eu posso te mostrar o refeitório, se você quiser esperar lá."

Deuses, ser educado era... estranho.

"Ah não. Benson já está lá, e ele... acho que eu me divertiria mais aqui.”

Ela também deixaria Emrys e Luca desconfortáveis, se o silêncio deles fosse alguma indicação, mas Celaena se viu dizendo: "Pode ser caótico, barulhento e desordenado aqui─"

"Eu sei como funciona uma cozinha", disse Essar. "Apenas me diga que trabalho precisa ser feito, e eu o farei."

Celaena olhou para Emrys, que se curvou e apresentou a si mesmo e a Luca─que estava com o rosto corado─e então se viu cortando legumes ao lado da dama.

Celaena disse para Essar depois de um minuto: "Então, você está apenas... viajando por aí?"

“Maeve nos deu uma tarefa, da qual eu não deveria falar, mas sim─isso demanda que nós viajemos um pouco. No entanto, estamos voltando para Doranelle─graças à Senhora da Luz.”

Celaena levantou uma sobrancelha. "Mala?"

Essar levantou a mão e as chamas dançaram nas pontas dos dedos. "Não é muito, mas nos manteve aquecidos no caminho pelo menos."

Celaena engoliu em seco. Ela nunca conheceu outro portador de fogo. Rowan sabia? "É difícil─dominar o fogo?"

Essar encolheu os ombros. “Eu era muito jovem quando comecei meu treinamento e tive cerca de dois séculos para dominar o pouco poder que tenho. Além de algumas queimaduras e bolhas, eu nunca fui realmente capaz de causar muitos danos, ou impressionar alguém. Remelle tem o dom mais interessante─sua magia serve para dominar qualquer idioma que ela ouvir, não importa o quão breve. É por isso que Maeve gosta de mandá-la para lugares. E Benson tem um jeito de se tornar invisível sempre que quiser, o que faz dele...”

Essar estremeceu.

"Faz dele um bom espião", Celaena terminou. Essar tinha que ser uma péssima espiã se estava disposta a conversar.

Essar afastou uma mecha de seu cabelo escuro e sedoso. "Você deve ter dons impressionantes, já que o príncipe Rowan está treinando você."

"Eu─"

“As verduras estão prontas?” perguntou Emrys, e um olhar para o macho fez com que Celaena lhe mandasse seu agradecimento silencioso. Ela lhe entregou uma tigela com as batatas e depois começou a trabalhar no próximo item. Essar estava fazendo fatias caprichadas e perfeitas─muito lentamente para ser útil, mas pelo menos ela estava tentando.

Essar disse casualmente: "Imagino que Rowan não seja um professor fácil".

"Pode-se dizer que não."

"Mas eles são todos assim, Rowan e seus companheiros que servem a rainha.”

"Você os conhece?"

Essar corou lindamente. “Eu estive envolvida com Lorcan, o líder deles, por um tempo. Mas─nossos estilos de vida são muito diferentes.”

"E como é Lorcan?"

"Um semifeérico, como você."

Ele era? Rowan não mencionou esse pequeno detalhe. Essar continuou: “Ele teve que provar a si mesmo todos os dias, todas as horas, desde que nasceu. Mesmo que seu poder não seja desafiado─por qualquer outra pessoa além de Rowan, isto é─ele... Lorcan não é um homem de convivência fácil. Alguns dias, eu me surpreendo que ele tenha amigos”.

"E Rowan é amigo dele?"

Essar deu-lhe um sorriso divertido. “De certa forma. Eles nos assustam, sabe. Especialmente quando eles estão juntos. Quando Rowan e Lorcan estão juntos em um cômodo... Vamos apenas dizer que às vezes eles não o deixam intacto quando partem. Ou a cidade, para ser sincera.”

"E, mesmo assim, Maeve os deixa trabalhar juntos?"

“Ela seria uma tola por deixar qualquer um deles ir embora─e é por isso que Maeve os ligou a ela com o juramento de sangue. Eles dizimaram cidades para ela antes.”

Um calafrio subiu pela espinha de Celaena. “Realmente dizimaram cidades?”

Essar assentiu gravemente. "E, mesmo assim, Remelle acha que pode controlar Rowan─quer possuí-lo."

Rowan poderia acabar com Remelle com meio pensamento, se ele fosse provocado o suficiente. "Ela é uma idiota."

"De fato. Mas poder é poder, e como Remelle não pode olhar além da linhagem mestiça de Lorcan, Rowan é sua outra única opção.”

“Será que seus filhos também pertenceriam a Maeve, como Rowan?”

Essar levantou a cabeça. "Eu não sei. Nenhum de seus companheiros gerou descendentes, então não há como dizer o que Maeve faria.”

Celaena estremeceu. "Você não parece falar tão reverentemente quanto os outros fazem a respeito dela."

“Nem todos os feéricos são escravos dispostos, sabe. E parte do motivo de meu relacionamento com Lorcan se desfezer, foi devido a isso. Ele é jurado de sangue para ela, e não importa o quanto eu me importasse com ele, certamente não sou. Nem vou fazer um juramento como esse.”

"Por que você está me contando isso?"

“Porque você está treinando com o macho feérico de sangue puro mais perigoso do mundo, e ainda assim ele a trata como igual. Ele apresentou você como igual.” Havia uma pergunta implícita ali─então, quem é você realmente?─ mas Celaena não conseguiu responder.

"Eu acho que Rowan simplesmente não queria lidar com Remelle sozinho."

"Provavelmente. Mas ele também lidou com ela em sua própria abundância. E desde que Rowan não é do tipo que exibe uma novo companheiro apenas para irritar uma antiga amante...”

"Não tenho certeza se entendi o que você está dizendo."

"Eu acho tudo muito interessante."

"Eu acho que você está exagerando um pouco sobre isso."

Mas Essar deu-lhe um sorriso suave. "Tenho certeza que estou."

͠

O jantar foi bem durante os seis segundos que levou para caminhar da entrada para a grande mesa no refeitório.

Como a mesa era tão grande, eles colocaram os cinco lugares em uma extremidade, com Rowan à frente, como sua posição exigia. O plano era que Celaena se sentasse a sua esquerda, com Essar ao lado dela, deixando Remelle para tomar o assento oposto a Celaena, e Benson em frente a Essar. Mas Remelle, movendo-se mais rápido do que Celaena esperava, conduziu Benson para o assento destinado a Celaena, e sentou-se ao lado de Rowan, deixando Celaena com a opção de se sentar ao lado da loira branca ou do homem malicioso.

Ela escolheu Benson.

Rowan seguiu a provação sem comentários, sua atenção fixada em Benson enquanto Celaena se sentava ao lado do senhor. Mas se Benson notou ou não o brilho letal nos olhos de Rowan─Deuses, o que foi aquilo?─o lorde não revelou nada. Então Celaena não tinha nada melhor para fazer no silêncio, exceto tomar um gole de seu vinho, e rezar para que a refeição terminasse rapidamente.

O primeiro prato─uma sopa de frango assado na qual Remelle e Benson franziram as sobrancelhas─veio rápido o suficiente. O gosto era divino, e Celaena conseguiu dar uma colherada ​​antes que Remelle lhe dissesse: "Então, você é do império de Adarlan".

Celaena tomou uma lenta segunda colherada de sopa. "Sou."

“Eu pensei ter detectado o sotaque─Adarlan e... Terrassen, estou certa? Eles pronunciam suas palavras por lá tão brutalmente. Duvido que até anos aqui a cure do sotaque grosseiro.”

Celaena tomou outra colherada muito lenta de sopa.

Mas Essar disse, “Acho o sotaque bastante encantador na verdade.” Benson grunhiu em concordância, dando-lhe um olhar longo demais, e Celaena lutou contra a vontade de mudar a configuração de uma ou duas cadeiras ao amanhecer. Ou pegar sua colher e usá-la para arrancar os olhos dele.

“Bem, você teve uma educação tão provinciana, Essar”, Remelle disse brilhantemente. "Eu não estou surpresa que você tenha gostado."

O rosto redondo de Essar se apertou, mas ela não disse nada. No entanto, quando Remelle foi tomar uma delicada colherada de sua sopa, ela soltou um assobio e quase deixou cair a colher. O líquido estava, de fato, fumegando─muito mais quente do que o de qualquer um deles. Essar deu à fêmea um olhar inocente, mas Remelle disse, “O cozinheiro estúpido ferveu essa sopa.”

Celaena segurou uma resposta. Especialmente quando o rosto de Rowan se tornou uma máscara de calma. Um que geralmente significava que a violência estava a caminho.

Esse tinha sido seu pedido, não foi? Para impedi-lo de causar uma briga que seria denunciada a Maeve?

Então Celaena engoliu sua própria raiva e disse a Essar: "Você cresceu no interior?"

Remelle revirou os olhos, mas Essar sorriu. “Meu pai é dono de uma vinha no sudeste do nosso território. Passei minha juventude perambulando pelos pomares de oliveiras e bosques de ciprestes. Mas me mudei para Doranelle quando foi considerado o momento de entrar na sociedade.”

"Infelizmente, Essar tem tido muito azar quando se trata de satisfazer o desejo de seus pais de encontrar um marido adequado", disse Remelle.

"Marido," Celaena se viu dizendo. “Não─parceiro?”

Remelle estalou a língua. "Claro que não. Um parceiro é raro─a maioria dos feéricos não os encontra.” Celaena não conseguiu olhar para Rowan, embora seu coração estivesse tenso. Remelle acenou com a mão ociosa. "Então, nós nos casamos."

"E se você se casar, e depois encontrar seu parceiro?"

“Guerras foram iniciadas por causa disso”, Benson finalmente disse, seus olhos escuros pareciam absorver tudo. "Mas se for esse o caso, é tratado com muita delicadeza."

“Uma bagunça, é o que ele quer dizer", Essar esclareceu. “Um macho sentirá a necessidade de matar qualquer desafiante a sua parceira, mesmo que esse desafiante já esteja casado com ela. Mesmo se eles estiverem apaixonados. Para todos os nossos refinamentos, ainda há instintos que não podem ser controlados”.

Celaena assentiu, terminando a sopa.

Remelle, no entanto, sorriu para ela. “Mas, como mestiça, você não precisa se preocupar com essas coisas. Encontrar um parceiro é ainda mais raro para aqueles com sangue impuro─e nenhum de nós se casaria com você, de qualquer maneira.”

Celaena olhou para a fêmea por um longo momento, mesmo que ela pudesse jurar que sentiu as reverberações na mesa enquanto Rowan rosnava suavemente.

Remelle se recusou a quebrar o olhar, e Celaena se acomodou, desejando calma em suas veias. Ela podia sentir a atenção de Essar, e quase podia ouvir as peças do quebra-cabeça se encaixarem na mente de Essar quando ela reconheceu a coloração dos olhos de Celaena e murmurou, "Remelle".

Mas Remelle olhou para Rowan e começou a dizer algo na Língua Antiga, sorrindo docemente.

Quando Rowan não respondeu, Remelle virou-se para Benson, dizendo algo mais, ao qual o lorde respondeu na mesma linguagem elegante e adorável.

Remelle voltou a abrir a boca, mas Rowan disse com um silêncio letal, “Fale na língua comum, Remelle.”

Remelle pôs a mão no peito, zombando de um pedido de desculpas. "Às vezes eu esqueço─não é todo dia que estou na companhia de mestiços."

Essar engoliu em seco, sua pele marrom ficou um pouco pálida quando ela examinou Celaena e Remelle. Ai sim. A senhora tinha descoberto que não era uma mestiça comum sentada na frente a eles.

Emrys e Luca entraram, levando a sopa e trazendo o próximo prato─Carne assada e legumes. Emrys vagueou pela porta, e Celaena deu uma mordida no coelho, gemeu e virou-se para acenar com entusiasmo para o antigo cozinheiro. Ele sorriu, seu rosto corando.

Então Remelle disse, “Rowan, deve ser um desafio para você ter que comer isso todos os dias.” Ela empurrou a carne no prato e pousou o garfo. Celaena não podia olhar Emrys─não se permitiu vislumbrar seu rosto.

Rowan disse, "Eu como melhor aqui do que em Doranelle".

“Não precisa ser gentil", disse Remelle. "Se eles não aprenderem o que gostamos, o que farão na capital?"

Passos arranharam atrás deles, e Celaena soube que Emrys tinha voltado para o andar de baixo.

Celaena disse suavemente: "Da próxima vez que você insultar meu amigo, eu vou enfiar seu rosto no prato que estiver na sua frente."

Remelle piscou. "Bem, eu nunca..."

"Remelle", Essar sussurrou.

Mas Remelle colocou a mão no antebraço de Rowan, e agarrou com tal possessividade que Celaena viu vermelho quando a senhora assobiou para ele, “Você vai deixá-la me insultar assim? Fazer ameaças contra um membro da casa real?”

"Tire suas mãos de mim", Rowan disse muito quieto.

Mas Remelle não soltou Rowan quando ela falou com Celaena: "Você está dispensada desta mesa. Saia."

Celaena olhou para sua mão pálida segurando Rowan. "Tire sua mão dele."

"Eu posso fazer o que quiser, e se você tiver algum senso, você vai desocupar este salão antes que eu tenha chicoteado você para o seu─"

O fogo irrompeu e o grito de Remelle ecoou nas pedras.

Chama viva se envolveu em torno da dama, não queimando, não chamuscando, apenas─prendendo. Até mesmo a mão em Rowan estava em chamas, e através da coluna de fogo vermelho e dourado, os olhos de Remelle estavam arregalados quando ela se virou para Essar e disse: "Liberte-me".

Mas Essar só olhou para Celaena. "Não é minha magia."

Rowan ficou perfeitamente imóvel enquanto Celaena permitia que o fogo esquentasse. Não o suficiente para queimar, mas o suficiente para fazer Remelle começar a suar. E então Celaena disse: "Se você levantar um chicote para alguém, eu vou te encontrar, e vou me certificar de que essas chamas queimem".

Ela teve que admitir: Remelle não tinha pouca coragem, especialmente quando a mulher disse, “Como você se atreve a ameaçar uma dama de Doranelle?”

Celaena riu baixinho, “Da próxima vez que tocar em Rowan sem a permissão dele, vou queimar você até virar cinzas.” Ela virou a cabeça para Benson. "E se você olhar para mim ou qualquer mulher assim de novo, eu vou derreter seus ossos antes que você tenha a chance de gritar."

Benson, sabiamente assentiu e desviou o olhar.

Essar estava pálida quando Celaena mostrou os dentes em um grunhido e disse a ela: "Você mantém tudo o que escutou aqui para si mesma."

Essar assentiu.

Celaena finalmente enfrentou Rowan, que parecia estar tentando o seu melhor para não sorrir, embora a diversão ainda dançasse em seus olhos quando ela disse, “Eu adio o julgamento para você, príncipe.”

Ele estudou Remelle, que mal se movia, mal respirava, depois sacudiu o queixo. "Solte-a e vamos comer."

As chamas apagaram tão rápido que era como se elas nunca tivessem existido.

No silêncio que caiu, Remelle se inclinou sobre o braço da poltrona e vomitou no chão.

Celaena pegou o garfo, deu uma mordida no coelho e sorriu.

͠



"Se eu nunca mais os ver, será muito cedo", disse Celaena na escuridão de seu quarto.

Rowan soltou uma risada baixa. "Eu pensei que você gostasse de Essar."

"Eu gosto, mas... você deveria ter visto ela tentando me fazer falar na cozinha."

"Sobre o que?"

"Sobre você. Sobre o nosso──relacionamento. Acho que você vai ser alvo de uma série de rumores desagradáveis.”

"Eu acho que o status do nosso relacionamento será o menor dos rumores depois desta noite."

“Essar disse que você e Lorcan uma vez dizimaram uma cidade juntos.”

Ele assobiou. “Ah. Sollemere.”

"Eu nunca fiquei sabendo sobre isso."

"Isso é porque não existe mais."

Ela se virou, encarando-o ao luar que entrava pelas cortinas. "Você limpou o mapa─literalmente?"

Ele a alfinetou com um longo olhar. “Sollemere era um lugar tão iníquo, cheio de pessoas monstruosas que faziam coisas tão indescritíveis que... até Maeve estava enojada com elas. Ela deu-lhes um aviso, e disse se eles...” Ele apertou a mandíbula escondida. “Há alguns atos que são imperdoáveis ─e eu não vou manchar este quarto mencionando-os. Mas ela jurou a eles que se continuassem a fazê-lo, ela os destruiria.”

"Deixe-me adivinhar: eles não ouviram."

"Não. Nós tiramos o maior número de crianças que pudemos com a nossa legião. E quando elas estavam a salvo, Lorcan e eu transformamos tudo em cinzas.”

"Você é muito poderoso."

"Você não parece chocada com isso."

“Você nunca me contou muitas histórias angustiantes. Se o que essas pessoas fizeram foi tão horrível que nem você se atreve a repetir, então eu diria que elas tiveram o que mereceram.”

“Tão sanguinária.”

"Isso é um problema para você?"

"Eu acho isso cativante." Ela deu-lhe um empurrão brincalhão, mas ele pegou a mão dela e segurou-a, seus calos roçando os dela. “Você poderia fazer isso, sabe. Fazer uma cidade inteira queimar.”

"Eu espero que eu nunca precise."

"Eu também." Ele enlaçou seus dedos nos dela e levantou-os para examinar as cicatrizes ao longo das costas de sua mão, seus dedos. "Mas eu nunca esquecerei o olhar no rosto de Remelle quando você disparou fogo de sua boca e de seus olhos."

"Eu não fiz isso."

Ele riu, um som baixo e retumbante que ecoou em seu peito. "Parte mulher, parte dragão."

"Eu não cuspi chamas."

"Seus olhos eram de ouro vivo."

Celaena estreitou os mesmos olhos para ele. "Você vai me repreender?"

Ele abaixou as mãos unidas na cama, mas não soltou. "Por que eu faria isso? Ela recebeu um aviso justo, o ignorou e você seguiu com sua promessa. Isso cumpre os Antigos Modos, e você tinha todo o direito de mostrar a ela o quão sério você estava falando.”

Ela considerou, depois de um momento disse: "Me assustou ─ o quão controlada eu estava. O quanto eu falava sério. Me assustou que eu não estava com medo. Me assustou...” Ela se obrigou a olhar para ele. Seu rosto estava ilegível na luz fraca. "Me assustou..."

Me assustou o fato de que eu tenha passado a me importar tanto com você, ao ponto de eu ter que colocar limites nisso. Me assustou o fato de que eu queimaria e mutilaria e mataria por você, e ainda assim ─ no final do dia, você ainda pertenceria a Maeve, e não há nada que eu possa fazer, nenhuma quantidade de queima e mutilação e morte, para manter você comigo.

Ele soltou sua mão ─ só para desliza-la contra a bochecha dela, o gesto tão inesperado que ela fechou os olhos e se inclinou para frente, ouvindo as palavras não ditas no toque.

Eu sei.

͠

O grupo partiu na manhã seguinte, e Rowan não se incomodou em trazer a princesa para vê-los. Foi melhor assim, dado que Remelle ainda parecia nervosa e enfurecida, Benson se recusava a olhar para qualquer um, e até mesmo Essar estava com os olhos atentos.

Rowan esperou até que todos estivessem montados em seus belos cavalos no pátio antes de se aproximar. Foi para Essar que ele falou, agarrando as rédeas de sua égua Asterion. "Esperamos que a noite passada tenha sido a mais memorável de sua jornada".

Remelle fungou da sela, mas não disse nada.

Essar, no entanto, olhou para a fortaleza, como se ela pudesse ver através de musgo e pedra para a princesa dormindo dentro.

Essar era uma mulher bonita ─ inteligente, convidativa e esperta ─ e ele nunca entendeu por que Lorcan não se esforçou para mantê-la. Ela tinha sido boa para ele. Mas a crueldade e a ambição fria de Lorcan eram suas melhores ferramentas e os piores inimigos. Ele só tinha visto a fêmea pelo que ela ofereceu dentro de seu quarto.

Essar disse: "Eu não acho que nenhum de nós vai esquecer a noite passada em breve".

Nem ele. Quando Aelin tinha envolvido Remelle em chamas, ele ficou estupefato. Ela não havia demonstrado habilidades desse nível, não havia praticado esse tipo de coisa. E se Remelle tivesse tentado revidar, se Remelle tivesse o machucado fisicamente ou qualquer outra pessoa naquela fortaleza... A senhora seria cinzas ao vento agora.

Uma ameaça havia sido feita contra aqueles que Aelin via como igual. Tais coisas seriam tratadas com rapidez e brutalidade. Interessante ─ tão interessante que aquele lado da princesa tenha vindo à tona.

E ela havia o reivindicado.

Essar sabia. Ela descobriu que magia ardia nas veias de Aelin, e que na noite passada, a Rainha de Terrassen tinha feito uma reivindicação sobre ele. Se Essar dissesse a Maeve sobre isso...

Os outros membros do grupo se moveram, Remelle estava rígida, mas Rowan permaneceu com Essar.

"Diga o preço pelo seu silêncio", disse Rowan.

As sobrancelhas escuras de Essar se ergueram. "Você acha que eu correria para as pessoas mais próximas e diria a elas que Aelin Galathynius está treinando aqui?"

"Você sabe do que eu estou falando."

Os olhos escuros de Essar se estreitaram. “Eu também não correria para Maeve. Remelle vai dizer a ela que a garota fez uma birra e atacou sem provocação ─ ela nunca admitiria a verdade por trás disso. Ou descobriria quem ela realmente é. E Benson... Deixe-o comigo.”

"E o seu preço?"

"Não há preço, príncipe."

Ele agarrou as rédeas com mais força. "Por quê?"

Essar estudou o grupo que desaparecia, depois a fortaleza. “Nós nos conhecemos há bastante tempo. Através dos séculos, eu nunca vi você apresentar outra mulher como sua igual ─ como sua amiga. E eu não acho que você tenha feito isso por causa de quem ela é. Rowan abriu a boca, mas ela disse, “Eu não tiraria esse presente de você, Rowan. Porque é um presente. Ela é um presente, para o mundo e para você.”

Seus dedos afrouxaram as rédeas e Essar conduziu sua montaria a uma caminhada.

“Ela vai lutar por você, Rowan ─ disse Essar, olhando por cima do ombro. “E você merece, depois de todo esse tempo. Você merece ter alguém que queimaria a terra em cinzas por você.” Seu coração batia descontroladamente, mas ele manteve seu rosto neutro, sua vontade de gelo e aço.

“Se você o vir, ─ acrescentou Essar com um sorriso triste ─ diga a Lorcan que eu mandei meus cumprimentos.”

E então ela se foi.

͠

As coisas voltaram ao seu ritmo habitual nos dois dias que se seguiram, embora Rowan não conseguisse parar de pensar no que Essar dissera. Porque ele sabia que era verdade, porque... porque ele queria que fosse verdade.

Aelin não disse nada sobre isso, embora ele às vezes a pegasse o analisando, como se tentasse decifrar algum quebra-cabeça.

Ele estava debruçado sobre um relatório que Vaughan lhe enviara quando ela entrou em seu quarto naquela noite. O cheiro de chocolate e nozes o atingiu, e quando ele torceu em seu assento, ele percebeu que ela carregava um pequeno bolo disforme, com um sorriso tímido no rosto.

"Demorei horas para fazer essa maldita coisa, então é melhor você dizer que é bom."

Ela colocou na frente dele, junto com um prato, garfo e faca. A lâmina, ela usava para cortar a massa coberta de chocolate, cortando um pedaço grande. Estava coberto com uma cobertura mais clara ─ um pouco de recheio de aparência cremosa no meio do bolo escuro.

“Bolo de chocolate com avelã?”

Ela colocou o pedaço no prato para ele e pegou sua mão para pressionar o garfo. “Você não tem ideia de como foi difícil obter os ingredientes. Ou para encontrar algum tipo de receita. Eu nem provei ainda. Emrys parecia que ia desmaiar de horror.” Quando Rowan apenas olhou para o bolo, ela estalou a língua. “Este é o favor que você me deve. Apenas prove."

Ele deu a ela um longo olhar que geralmente fazia homens correrem, mas ela mordeu o lábio e olhou para o bolo. Foi o suficiente para ajustar o aperto no garfo, pegar um pedaço e levá-lo à boca.

Enquanto ele mastigava e engolia, ela estava praticamente pulando de um pé para o outro e torcendo as mãos. Então ele soltou um grunhido de prazer, deu outra mordida, depois outra, até que o pedaço todo sumiu do prato.

Então ele pegou outro pedaço. E outro. Até que seu estômago estivesse protestando, e somente uma fatia foi deixada no prato.

"Eu te disse que era delicioso", ela declarou, dando-lhe um sorriso triunfante quando ele pousou o garfo. Ela bagunçou o cabelo dele, mas ele pegou seu pulso, apertando suavemente enquanto ele se levantava de seu assento e trazia seu rosto perigosamente para perto do dela.

Ele conhecia cada mancha de ouro naqueles olhos notáveis ​​─ sabia o gosto de seu sangue. Estava tão perto que sua respiração se misturou a dela... "Agora estamos quites", ele disse, e saiu do quarto.

Ele estava a cerca de três passos no corredor quando o garfo de Aelin raspou contra o prato, sem dúvida pegando o pedaço de bolo que ele havia deixado. Um momento depois disso, seu xingamento ecoou nas pedras da fortaleza, seguida de um cuspido e uma tosse.

Apesar de tudo, Rowan estava sorrindo quando abriu a porta do banheiro ─ e rapidamente despejou o conteúdo de seu estômago.